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Administração Financeira - Aula 4

Aula 04 - Trabalhando com Demonstrações Contábeis

Trabalhando com Demonstrações Contábeis

Introdução

Um bom conhecimento prático das demonstrações contábeis é desejável simplesmente porque as demonstrações contábeis e os números extraídos delas são o principal meio de comunicação das informações financeiras, tanto dentro quanto fora da empresa. Resumindo, grande parte da linguagem das finanças corporativas tem como base as ideias que discutiremos neste capítulo.

Além disso, como veremos, existem várias maneiras de utilizar as informações das demonstrações contábeis e vários tipos de usuários. Tal diversidade deixa claro que essas informações têm um papel importante em muitos tipos de decisões.

Fluxo de caixa e demonstrações contábeis: um exame detalhado

Em essência, as empresas fazem duas coisas diferentes: elas geram e gastam caixa. O caixa é gerado pela venda de produtos, ativos ou títulos mobiliários. A venda de títulos envolve tomar empréstimos ou vender participações no patrimônio (ou seja, ações) da empresa. O caixa é gasto com o pagamento de materiais e de mão de obra para produzir e comprar ativos. Os pagamentos aos credores e proprietários também exigem dispêndios de caixa.

Fontes e usos de caixa

As atividades que geram caixa são chamadas de fontes (origens) de caixa. As atividades que envolvem gastos de caixa são chamadas de usos (aplicações) de caixa. O que precisamos fazer é rastrear as alterações no balanço patrimonial da empresa para saber como ela gerou e gastou seu caixa durante um período.

Para começar, considere o balanço patrimonial da Companhia Pedreira na Tabela abaixo. Observe que calculamos a variação de cada um dos itens dos balanços patrimoniais.

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Examinando os balanços patrimoniais da Pedreira, vemos que muitas coisas mudaram durante o ano. Por exemplo, a empresa aumentou seu ativo imobilizado em \$149 e seu estoque em \$29. (Observe que todos os números estão em milhões.) De onde veio o dinheiro? Para responder essa e outras perguntas relacionadas, primeiro precisamos identificar as variações que utilizaram caixa (usos) e as que produziram caixa (fontes).

Vamos usar um pouco de bom senso. Uma empresa usa caixa ou para comprar ativos ou para fazer pagamentos. De modo geral, um aumento em uma conta do ativo significa que a empresa, em uma base líquida, comprou ativos – um uso de caixa. Se uma conta de ativo diminuiu, então, em uma base líquida, a empresa vendeu ativos. Essa seria uma fonte líquida. Da mesma forma, se uma conta de passivo diminuiu, a empresa fez um pagamento líquido – um uso de caixa.

A partir desse raciocínio, existe uma definição simples, embora mecânica, que pode ser útil. Um aumento em uma conta do lado esquerdo (ativo) ou uma diminuição em uma conta do lado direito (passivo ou patrimônio) é um uso de caixa. Já uma diminuição em uma conta de ativo ou um aumento em uma conta de passivo (ou patrimônio) é uma fonte de caixa.

Examinando novamente os dados da Pedreira, vemos que o estoque aumentou em \$29. Esse é um uso líquido, porque a empresa realmente pagou \$29 para aumentar o estoque. As contas a pagar aumentaram em \$32. Essa é uma fonte de caixa, porque a Pedreira realmente tomou emprestados outros $32 pagáveis até o final do ano. Os títulos a pagar, por outro lado, diminuíram em \$35, assim, ela realmente pagou \$35 em dívida de curto prazo – um uso de caixa.

O aumento líquido do caixa é exatamente a diferença entre fontes e usos, e nosso resultado de \$14 está de acordo com a variação de $\14 mostrada no balanço patrimonial.

Essa demonstração simples nos diz muito sobre o que aconteceu durante o ano, mas não conta toda a história. Por exemplo, o aumento nos lucros retidos corresponde ao lucro líquido (uma fonte de fundos) menos os dividendos (um uso de fundos). Seria mais esclarecedor se esses números fossem informados separadamente, para que pudéssemos ver os detalhes. Além disso, só consideramos as aquisições de ativo imobilizado líquido. Seria mais interessante conhecer os gastos totais ou brutos.

A demonstração de fluxos de caixa

Existe uma certa flexibilidade para mostrar as fontes e os usos do caixa em uma demonstração financeira.

Independentemente da forma como é apresentado, o resultado é chamado de demonstração de fluxos de caixa. Apresentamos uma maneira de mostrar essa demonstração nas Tabelas abaixo. A ideia básica é agrupar todas as variações em três categorias: atividades operacionais, atividades de investimento e atividades de investimento. A forma de disposição difere nos detalhes conforme quem a prepara. Não se surpreenda se você encontrar disposições diferentes. Os tipos de informações apresentados serão parecidos, mas a ordem pode mudar. Nesse caso, é importante lembrar que iniciamos com $84 em caixa e acabamos com $98, um aumento líquido de $14. Estamos apenas tentando ver quais eventos levaram a essa variação.

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Oservamos que existe um pequeno problema conceitual. Os juros pagos deveriam entrar em atividades de financiamento, mas infelizmente não é assim que a contabilização dos juros funciona. O motivo, como você deve lembrar, é que os juros são deduzidos como despesa quando o lucro líquido é calculado. Observe também que a compra líquida de ativos imobilizados foi de \$149. Como a Pedreira reduziu $276 em ativos por depreciação, ela gastou, na verdade, um total de \$149 + \$276 = \$425 em ativos imobilizados.

Sabendo isso, pareceria apropriado expressar a variação de caixa por ação, como fizemos para o lucro líquido. Curiosamente, apesar do interesse que possamos ter em alguma medida do fluxo de caixa por ação, o padrão da prática contábil US GAAP proíbe expressamente a divulgação dessas informações. O motivo é que os contadores percebem que o fluxo de caixa (ou algum componente do fluxo de caixa) não é uma alternativa para a receita contábil e, portanto, somente os lucros por ação devem ser apresentados.

Como mostra a terceira tabela, às vezes é útil apresentar as mesmas informações de forma um pouco diferente. Chamaremos isso de demonstração de “fontes e usos de caixa”. Não existe tal demonstração na contabilidade, mas a forma que apresentamos se parece muito com uma demonstração utilizada há muitos anos. Como discutiremos, essa disposição pode ser útil, mas enfatizamos que essas informações normalmente não são apresentadas assim.

Uma vez que temos os detalhes do caixa, podemos ter uma boa ideia do que ocorreu durante o ano. Os principais dispêndios de caixa da Pedreira foram com aquisições de ativo imobilizado e com dividendos pagos em dinheiro. Ela realizou esses dispêndios principalmente com o caixa gerado pelas operações.

A Pedreira também liquidou um pouco do passivo não circulante e aumentou o ativo circulante. Por último, o passivo circulante não variou muito, e um montante relativamente pequeno de novas ações emitidas foi integralizado. No total, esse breve diagrama captura os principais usos e fontes de caixa durante o ano.

Demonstrações contábeis comparáveis

A próxima coisa que podemos querer fazer é comparar as demonstrações contábeis da Pedreira com as de outras empresas semelhantes. Entretanto, teríamos um problema. A comparação direta das demonstrações contábeis de duas companhias é quase impossível devido a diferenças de tamanho das empresas.

Por exemplo, a Ford e a GM são fortes rivais do mercado de automóveis, mas a GM é muito maior (em termos de parcela do mercado), de modo que é difícil fazer uma comparação direta entre as duas. Nesse sentido, é difícil até mesmo comparar as demonstrações contábeis de diferentes momentos de uma mesma empresa, caso seu tamanho tenha mudado. O problema do tamanho ganha um agravante se tentarmos comparar a GM com a Toyota. Se as demonstrações contábeis da Toyota estão em ienes, temos uma diferença de tamanho e de moeda.

Para começar a fazer comparações, algo evidente que podemos tentar fazer é uniformizar as demonstrações contábeis de alguma forma. Uma maneira muito comum e útil de fazer isso é trabalhar com porcentagens, em vez de com total em dinheiro. Nesta seção, descrevemos duas maneiras de uniformizar as demonstrações contábeis.

Demonstrações de tamanho comum

Para iniciar, um modo útil de uniformizar as demonstrações contábeis é expressar cada item do balanço patrimonial como uma porcentagem do ativo e cada item da demonstração de resultados como uma porcentagem das vendas. Nós chamamos as demonstrações resultantes de demonstrações de tamanho comum. Veremos isso a seguir.

Uma forma, embora não seja a única, de construir um balanço patrimonial de tamanho comum é expressar cada item como uma porcentagem do ativo total. Os balanços patrimoniais de tamanho comum da Pedreira de 2008 e 2009 são mostrados nas Tabelas abaixo.

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Observe que alguns dos totais não batem por causa de arredondamentos de valores. Note também que a variação entre demonstrativos de períodos diferentes precisa ser zero, porque os números de cada um devem somar 100%.

Nessa forma, as demonstrações contábeis são relativamente fáceis de ler e comparar. Por exemplo, basta olhar os dois balanços patrimoniais da Pedreira para ver que o ativo circulante aumentou de 19,1% do ativo total em 2008 para 19,7% em 2009. O passivo circulante diminuiu de 16,0% para 15,1% do passivo total e do patrimônio líquido no mesmo período. Da mesma maneira, o patrimônio líquido total aumentou de 68,1% do total do passivo e do patrimônio líquido para 72,2%.

De modo geral, a liquidez da Pedreira, medida pela comparação entre o ativo e o passivo circulantes, aumentou de um ano para outro. Simultaneamente, a inadimplência da Pedreira diminuiu como porcentagem do ativo total. Poderíamos nos sentir tentados a concluir que o balanço patrimonial ficou “mais forte”. Falaremos mais sobre isso posteriormente.

Demonstrações contábeis com ano-base comum: análise de tendências

Imagine que temos os balanços patrimoniais dos últimos 10 anos de alguma empresa e estamos tentando investigar as tendências no seu padrão de operações. A empresa usa mais ou menos capital de terceiros? A empresa ficou mais ou menos líquida? Nesse caso, uma forma útil de padronizar as demonstrações contábeis é selecionar um ano e expressar cada item em relação ao valor-base. Chamaremos as demonstrações resultantes de demonstrações com ano-base comum.

Por exemplo, de 2008 a 2009, o estoque da Pedreira aumentou de \$393 para \$422. Se escolhermos 2008 como nosso ano-base, podemos definir o estoque igual a 1,00 para esse ano.

No ano seguinte, poderíamos calcular o estoque em relação ao ano-base, ou seja, \$422/\$393 = 1,07. Nesse caso, poderíamos dizer que o estoque aumentou em cerca de 7% durante o ano. Se tivéssemos vários anos, poderíamos dividir o número do estoque de cada ano por \$393. A série resultante é muito simples de transpor para um gráfico e fica fácil comparar empresas diferentes. A Tabela abaixo resume esses cálculos para o lado do ativo do balanço patrimonial.

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Análise de indicadores

Outra forma de evitar os problemas da comparação de empresas que tenham tamanhos diferentes é calcular e comparar indicadores financeiros. Tais indicadores permitem comparar e investigar os relacionamentos entre as diferentes partes das informações financeiras. Seu uso elimina o problema do tamanho, porque o tamanho é suprimido no processo de divisão. Como resultado, ficamos com porcentagens, múltiplos ou períodos.

Existe um problema na discussão dos indicadores financeiros. Como um indicador é apenas um número dividido por outro, e como existe uma quantidade substancial de números contábeis, há um número imenso de indicadores possíveis que poderíamos examinar. Cada um tem o seu preferido. Nós nos restringiremos a uma amostra representativa.

Eles não são necessariamente os que consideramos melhores. Na verdade, você pode achar que alguns deles não têm lógica ou não são tão úteis quanto outras alternativas. Nesse caso, não se preocupe. Como analista financeiro, você sempre pode decidir como calcular seus próprios indicadores.

Você só precisa ter atenção para o fato de que pessoas diferentes e fontes diferentes raramente calculam esses indicadores exatamente da mesma maneira, e isso pode gerar muita confusão. As definições específicas que usamos podem ou não ser iguais àquelas que você viu ou verá em outro lugar. Sempre que usar indicadores como ferramenta de análise, tenha o cuidado de documentar o modo como calcula cada um deles e, se estiver comparando seus números com os de outra fonte, verifique se sabe como esses são calculados.

Deixaremos para mais tarde a questão dos usos dos indicadores e dos problemas que você pode encontrar ao usá-los. Por enquanto, para cada um dos indicadores que discutirmos, consideraremos várias questões:

  • Como ele é calculado?
  • O que se pretende medir com ele, e por que estaríamos interessados nisso?
  • Qual é a unidade de medida?
  • O que um valor alto ou baixo estaria indicando? De que modo tais valores poderiam ser enganosos?
  • Como essa medida poderia ser aperfeiçoada?

Os indicadores financeiros tradicionalmente são agrupados nas seguintes categorias:

  • Indicadores de solvência de curto prazo ou de liquidez.
  • Indicadores de solvência de longo prazo ou de alavancagem financeira.
  • Indicadores de eficiência na gestão de ativos ou de giro.
  • Indicadores de rentabilidade.
  • Indicadores de valor de mercado.

Consideraremos cada um deles. Ao calcularmos esses números para a Pedreira, usaremos os números de final de período do balanço patrimonial (2009), a menos que digamos o contrário. Observe também que os diversos indicadores têm códigos de cor para indicar quais números vêm da demonstração de resultados do exercício e quais vêm do balanço patrimonial.

Indicadores de solvência de curto prazo ou de liquidez

Como o nome sugere, os indicadores de solvência de curto prazo são um grupo destinado a fornecer informações sobre a liquidez de uma empresa. Às vezes, eles são chamados de medidas de liquidez. A principal preocupação é a capacidade da empresa de pagar suas contas de curto prazo, sem maior estresse. Consequentemente, esses indicadores se concentram no ativo e no passivo circulantes.

Por motivos óbvios, os indicadores de liquidez são particularmente interessantes para os credores de curto prazo. A compreensão desses indicadores é fundamental, pois os gestores financeiros lidam constantemente com bancos e outros provedores de financiamentos de curto prazo.

Uma vantagem de considerar o ativo e o passivo circulantes é que seus valores contábeis e de mercado são provavelmente semelhantes. Com frequência (embora nem sempre), o ativo e o passivo simplesmente não sobrevivem tempo suficiente para que fiquem seriamente desalinhados com seus valores de mercado. Por outro lado, assim como qualquer tipo de “quase caixa”, o ativo e o passivo circulantes podem variar rapidamente, de modo que os montantes de hoje podem não ser um guia confiável para o futuro.

Índice de liquidez corrente

\begin{equation} \text{Índice de liquidez corrente} = \frac{\text{Ativo circulante}}{\text{Passivo circulante}}\end{equation}

Como o ativo e o passivo circulantes são, em princípio, convertidos em caixa ao longo dos 12 meses seguintes, o índice de liquidez corrente é uma medida da liquidez de curto prazo. A unidade de medida é em dinheiro ou em número de vezes. Assim, poderíamos dizer que a Pedreira tem $1,31 em ativo circulante para cada $1 em passivo circulante, ou poderíamos dizer que ela tem seu passivo circulante coberto 1,31 vez.

Para um credor – especialmente um de curto prazo, como um fornecedor – quanto maior o índice de liquidez corrente melhor. Para a empresa, um índice de liquidez corrente alto indica liquidez, mas também pode indicar um uso ineficiente do caixa e de outros ativos de curto prazo. Se não houver circunstância extraordinária, esperaríamos ver um índice de liquidez corrente de pelo menos 1, porque, se for menor do que 1, significa que o capital circulante líquido (ativo circulante menos passivo circulante) é negativo. Isso não seria comum em uma empresa saudável, pelo menos para a maioria dos tipos de negócios.

O índice de liquidez corrente, assim como qualquer índice, é afetado por diversos tipos de transações. Por exemplo, suponhamos que a empresa faça um empréstimo de longo prazo para levantar fundos. O efeito de curto prazo seria um aumento do caixa com os resultados da emissão e um aumento do passivo não circulante. O passivo circulante não seria afetado e, portanto, o índice de liquidez corrente aumentaria.

Por último, observe que um índice de liquidez corrente aparentemente baixo pode não ser um mau sinal para uma empresa com uma grande capacidade não utilizada de linhas de financiamento disponíveis.

Índice de liquidez imediata (ou liquidez seca)

Em geral, o estoque é o ativo circulante menos líquido. Ele também é o que tem valores contábeis menos confiáveis como medidas do valor de mercado, porque a qualidade do estoque não é considerada. Parte do estoque pode ser danificada, tornar-se obsoleta ou se perder com o tempo.

Para sermos mais exatos, estoques relativamente grandes quase sempre são um sinal de problemas no curto prazo. A empresa pode ter superestimado as vendas ou comprado, ou produzido, em excesso. Nesses casos, ela terá uma parte substancial de sua liquidez presa em estoques de movimentação lenta.

Para avaliar melhor a liquidez, o índice de liquidez imediata, ou liquidez seca, é calculado como o índice de liquidez corrente, mas o estoque é omitido:

\begin{equation} \text{Índice de liquidez imediata} = \frac{\text{Ativo Circulante − Estoque}}{\text{Passivo Circulante}}\end{equation}

Observe que utilizar caixa para comprar estoques não afeta o índice de liquidez corrente, mas reduz o índice de liquidez imediata. A ideia é que o estoque é relativamente ilíquido quando comparado ao caixa.

O índice de liquidez imediata conta uma história um pouco diferente daquela do índice de liquidez corrente, porque o estoque representa mais da metade do ativo circulante da empresa. Para exagerar a questão, se esse estoque fosse de usinas nucleares não vendidas, isso seria motivo de preocupação.

Para dar um exemplo de índice de liquidez imediata em relação ao índice de liquidez corrente com base em demonstrações contábeis relativamente recentes, em determinado ano a Walmart e a Manpower Inc. tiveram índices de liquidez corrente de 0,81 e 1,60, respectivamente. Entretanto, a Manpower não tem estoque, enquanto o ativo circulante da Walmart é praticamente só o estoque. Como resultado, o índice de liquidez imediata da Walmart foi de apenas 0,21, enquanto o da Manpower foi de 1,60, igual ao seu índice de liquidez corrente.

Outros índices de liquidez

\begin{equation} \text{Índice de caixa} = \frac{\text{Caixa}}{\text{Passivo Circulante}}\end{equation}

Como o capital circulante líquido (CCL) com frequência é visto como o montante da liquidez de curto prazo que uma empresa tem, podemos considerar a relação entre o CCL e o ativo total:

\begin{equation} \text{Capital circulante líquido/ativo total} = \frac{\text{Índice capital circulante líquido}}{\text{Ativo total}}\end{equation}

Por último, imagine que a Pedreira estivesse enfrentando uma greve e que as entradas de caixa começassem a diminuir. Por quanto tempo a empresa continuaria funcionando? Uma resposta é dada pela medida de intervalo:

\begin{equation} \text{Medida de Intervalo} = \frac{\text{Ativo circulante}}{\text{Custos operacionais médios diários}}\end{equation}

Indicadores de solvência de longo prazo

Índice de endividamento total

O índice de endividamento total leva em conta todas as dívidas, todos os vencimentos e todos os credores. Ele pode ser definido de várias maneiras, mas a mais fácil é a seguinte:

\begin{equation} \text{Índice de endividamento total} = \frac{\text{Ativo total – Patrimônio líquido total}}{\text{Ativo total}}\end{equation}

Nesse caso, um analista poderia dizer que a Pedreira usa 28% de capital de terceiros.

Índice de cobertura de juros

\begin{equation} \text{Índice de cobertura de juros} = \frac{\text{Lajir}}{\text{Juros}}\end{equation}

Cobertura de caixa

\begin{equation} \text{Índice de cobertura de caixa} = \frac{\text{Lajir + Depreciação}}{\text{Juros}}\end{equation}

Medidas de gestão de ativos ou de giro

Giro do estoque e prazo médio de estocagem

\begin{equation} \text{Giro do estoque} = \frac{\text{Custo das mercadorias vendidas}}{\text{Estoque}}\end{equation}

Giro de contas a receber e prazo médio de recebimento

\begin{equation} \text{Giro de contas a receber} = \frac{\text{Vendas}}{\text{Contas a receber}}\end{equation}

Medidas de lucratividade

Medidas de lucratividade

\begin{equation} \text{Margem líquida} = \frac{\text{Lucro líquido}}{\text{Vendas}}\end{equation}

Retorno sobre o ativo

\begin{equation} \text{Retorno sobre o ativo} = \frac{\text{Lucro líquido}}{\text{Ativo total}}\end{equation}

Medidas de valor de mercado

Lucro por ação

\begin{equation} \text{LPA} = \frac{\text{Lucro líquido}}{\text{Ações em circulação}}\end{equation}

Como usar as informações das demonstrações contábeis

Como já discutimos, o principal motivo para examinar as informações contábeis é que não temos, e não podemos esperar ter, informações de valores de mercado. É importante enfatizar que, sempre que tivermos informações de mercado, as usaremos no lugar dos dados contábeis. Além disso, se houver um conflito entre os dados contábeis e os de mercado, os dados de mercado devem prevalecer.

A análise de demonstrações contábeis é essencialmente uma aplicação da “administração por exceção”. Em muitos casos, tal análise se resume à comparação dos indicadores de uma empresa com indicadores médios ou representativos. Os indicadores que parecem diferir mais das médias são candidatos a maiores investigações.

Usos internos. As informações das demonstrações contábeis têm várias utilidades dentro de uma empresa. Dentre as mais importantes está a avaliação do desempenho. Por exemplo, os gestores, com frequência, são avaliados e remunerados com base em medidas contábeis de desempenho, tais como margem de lucro e retorno sobre o patrimônio líquido. Também é comum que empresas com várias divisões comparem seus desempenhos usando as informações das demonstrações contábeis.

Outro importante uso interno que exploraremos no próximo capítulo é o planejamento para o futuro. Como veremos, as informações históricas das demonstrações contábeis são muito úteis para gerar projeções futuras e verificar o realismo das hipóteses levantadas para essas projeções.

Usos externos. As demonstrações contábeis são úteis para os agentes de fora da empresa, incluindo credores de curto e longo prazo e investidores em potencial. Por exemplo, essas informações seriam bastante úteis para aprovar ou não o crédito a um novo cliente.

Também usaríamos essas informações para avaliar os fornecedores, e os fornecedores olhariam nossas demonstrações antes de nos conceder crédito. Os grandes clientes utilizam essas informações para decidir se temos chances de continuar fornecendo nossos produtos no futuro.

As agências de classificação de risco usam as demonstrações contábeis para avaliar o crédito geral de uma empresa. O fato é que as demonstrações contábeis são uma fonte primária de informações sobre a saúde financeira de uma empresa.

Essas informações também seriam úteis para avaliar nossos principais concorrentes. Poderíamos estar pensando em lançar um novo produto. Uma das principais preocupações seria a possibilidade de a concorrência lançar o mesmo produto em seguida. Nesse caso, estaríamos interessados em conhecer a força financeira de nossos concorrentes, para saber se eles poderiam bancar o desenvolvimento necessário.

Por último, poderíamos pensar em adquirir outra empresa. As informações das demonstrações contábeis seriam essenciais para identificar alvos em potencial e decidir quanto oferecer.

Exercícios

1) Cite 5 índicadores que podem ser usados para avaliar uma empresa.

2) De dois exemplos de Indicadores de solvência de curto prazo. Explique a importância deles.

3) De dois exemplos de Indicadores de solvência de longo prazo. Explique a importância deles.

4) Construa o balanço patrimonial de uma escola fictícia. Faça os parâmetros do balanço terem sentido.

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