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Logística 1 - Aula 7

Aula 07 - Os principais custos que envolvem os estoques

Os principais custos que envolvem os estoques

Introdução

Embora o estoque de materiais seja indispensável para um perfeito funcionamento do processo de fabricação e o equacionamento da produção e das vendas de produtos, ele tem um custo. Custo que se desdobra em vários componentes e, dependendo do enfoque utilizado, o estoque pode ter objetivos conflitantes nos diversos órgãos da administração. Os custos logísticos são, geralmente, os segundos mais importantes, só ultrapassados pelos custos da própria mercadoria. Por isso, saber gerir esses custos pode ser crucial para a sobrevivência da empresa [2]. A gestão destes custos é feita através do planeamento de custo ou do pré-cálculo de custo pois estes permitem determinar os padrões de custo de produção ou produto/mercadoria [1].

Por exemplo, sob o ponto de vista financeiro, por um lado, o estoque tem um custo que representa um certo capital imobilizado na forma de materiais. Por outro lado, em muitas situações, ter estoques pode ser vantajoso, especialmente se estivermos em um ambiente especulativo como é o caso das bolsas de valores, em que a compra e a venda de ações podem ser examinadas sob a ótica do custo e do risco de manter estoque de ações por um determinado período para vendê-las mais tarde. A mesma situação ocorre com algum produto que poderá ser estocado e que fica à espera da alta de preços, fenômeno muito comum em época de inflação alta, quando os comerciantes escondem os produtos porque sabem que novas altas de preços serão anunciadas. Nessa situação, os estoques são mantidos com o caráter meramente especulativo. Já examinando os estoques na ponta de consumo, sua existência será justificada pela demanda do produto. Manter estoque nesse caso é importante para não perder vendas ou clientes.

Se examinarmos sob a ótica da armazenagem, a existência do estoque vai implicar custos de seu armazenamento e movimentação. Esse custo envolve os custos dos espaços, das condições de armazenagem, envolvendo, por exemplo, ambientes especiais (refrigeração ou temperaturas específicas), movimentação interna, controles, obsolescência, perdas, extravios.

Produtos e sua estocagem

Começando pelo produto acabado, a área de vendas, por um lado, deseja ter estoques altos desses produtos com o objetivo de atender rapidamente aos pedidos dos clientes e nas quantidades por eles demandadas. Por outro lado, o setor de armazenagem deseja estoques reduzidos porque isso implica a utilização de menores espaços para armazenamento do produto e, como consequência, redução dos custos de armazenagem.

No que se refere às matérias-primas, o setor de compras deseja promover grandes aquisições, justificando que esse processo vai permitir um maior ganho nas negociações em face do poder de barganha que terá diante do fornecedor. Por sua vez, o setor financeiro deseja estoques reduzidos, uma vez que os estoques, além de representar um custo financeiro, e grandes aquisições, também resultam em elevados comprometimentos financeiros, situação que poderá levar a empresa a ter necessidade de captar recursos no mercado para saldar seus compromissos.

Para a produção, possuir grandes estoques é importante porque vai evitar as frequentes paralisações da linha de produção e permitirá também a produção em grandes escalas. Do lado da controladoria, grandes estoques resultam em maiores riscos de perdas, aumento dos custos de armazenagem e de movimentação e em congestionamento das linhas de produção.

Os custos

Os custos logísticos representam geralmente 5 a 35% das vendas, dependendo do tipo de negócio, da área de processamento e do rácio de valor de uso dos materiais e produtos em questão. Logo, é inevitável os custos logísticos, apesar de tentativas de reduzir ele ao máximo. Para reduzí-lo, devemos primeiro entender os custos, de onde eles vem e como cada um é interferido.

Custos logísticos são todos os custos relacionados com a logística de uma empresa, podem ser separados em três grandes custos:

  • Custo de pedido (ou processamento);
  • Custo de manutenção (ou armazenagem).
  • Custo de falta.

Custos de pedido

O custo de pedido (também chamado custo de processamento) ou custo de reposição de estoque é a despesa que decorre cada vez que um cliente faz um pedido. Esses custos podem ser divididos em duas partes:

  • O custo do pedido: pode ser considerado um custo de estoque fixo. São todas as despesas relacionadas com cobranças, gerenciamento de contas dos clientes e comunicação.
  • Os custos implícitos de logística: relacionados ao transporte e recepção de mercadorias. Esses custos são variáveis e vão depender do valor do frete e do volume total de pedidos. O custo do frete é, muitas vezes, capaz de causar fortes variações no valor unitário dos pedidos – e na margem de lucro.

O custo do pedido é influenciado por todos os participantes de uma cadeia de valor, especialmente pelos fornecedores. O fornecedor dos seus produtos pode estar no Brasil ou na China e pode fazer entregas por transporte marítimo ou por cargas aéreas. Pode também estipular valores de venda que variam conforme as unidades compradas.

Custos de manutenção

Custos de manutenção são essenciais do ponto de vista "estático" do estoque. Ou seja, os custos de manutenção de estoque ignoram o fluxo dos produtos e concentram-se apenas nas despesas do estoque parado.

Conheça as subcategorias dos custos de manutenção de estoque:

  • Custo de capital;
  • Custo de armazenagem;
  • Custo dos serviços de estoque;
  • Custo dos riscos de estoque;

Custo de capital

Refere-se ao capital diretamente investido no estoque e também do custo de oportunidade de não tê-lo investido em outra aplicação qualquer. Em indústrias que trabalham com insumos cotados em bolsa ou internacionalmente, esse investimento pode atingir grandes montantes, em operações de proteção contra oscilações de preço conhecidas vulgarmente como operações de ‘hedge’;

É o maior componente entre as variáveis de custo de manutenção de estoque. Inclui tudo o que é relacionado aos investimentos em capital intelectual e até o custo do dinheiro (variáveis inflacionárias ou deflacionárias). Determinar o custo de capital pode ser mais ou menos complicado, dependendo do negócio.

Uma regra básica para levar em consideração: é importante saber separar o seu estoque entre a parte que é ativo da empresa (ou seja, faz parte do inventário e patrimônio, como as máquinas e equipamentos do estoque) e a parte que depende do fluxo de caixa (como as mercadorias e matérias-primas adquiridas periodicamente).

Outro ponto importante é calcular o risco da manutenção do estoque, uma vez que os equipamentos e mercadorias estão expostos a acidentes, roubos, obsolescência e estão sujeitos até mesmo ao prazo de validade. Para a maioria das empresas, os custos de capital beiram os 15%, enquanto outras aplicam uma taxa de 5% sobre o total.

Custo de armazenagem

Inclui o custo do estoque decorrente do aluguel de espaço físico (armazém) e os custos variáveis como energia, água, aluguéis e impostos sobre a propriedade (IPTU, por exemplo).

Esses custos são vastos e dependem do tipo de armazenagem que a empresa escolheu – se o espaço é alugado ou próprio. Nas empresas em que o espaço do estoque é dividido com o escritório, pelo fato de o mesmo espaço ser usado para diferentes propósitos, é importante determinar uma porcentagem do espaço do escritório utilizada para o estoque a fim de fazer esses cálculos.

Nessa categoria, também é importante adicionar um fenômeno problemático: a saturação do espaço e armazenamento, que pode aumentar consideravelmente os custos de forma não linear, criando todos os tipos de despesas extras. Quando um armazém atinge o ponto de saturação, torna-se extremamente difícil a movimentação e o fluxo é interrompido (às vezes completamente).

Para empresas sujeitas a essas dificuldades, o tempo e dinheiro necessários para “limpar a casa” e retomar o fluxo podem representar gastos inesperados e desnecessários.

Custo de serviços de estoque

Inclui a segurança do espaço, TI, recursos humanos, gerenciamento e manuseio. Também podemos incluir nessa categoria as despesas relacionadas com controle de estoque e giro de estoque.

Custo dos riscos de estoque

Os custos de risco de estoque cobrem essencialmente o risco de perda de valor dos itens por conta do período em que ficam armazenados. Essa variável é especialmente importante em empresas que lidam com produtos perecíveis.

Custo de falta

Finalmente, para chegarmos a uma visão completa dos custos de estoque, também devemos passar pelo custo de falta. São as despesas que incorrem quando ocorre a falta de itens após o pedido do cliente. Para o varejo, essa despesa também pode incluir envios emergenciais, mudanças de fornecedores ou substituição de mercadorias por produtos ou matérias-primas menos rentáveis.

Enquanto esses custos podem ser determinados com mais precisão, outros custos de falta não são fáceis de mensurar, como as despesas relacionadas com a perda de clientes (churn) ou a reputação da empresa (NPS). Perda de participação no mercado e planos de contingência de entregas são outros custos de falta que podem ser considerados no cálculo.

Referências

[1] CHIAVENATO, Idalberto – Iniciação à administração da produção. São Paulo: McGraw-Hill, 1991. ISBN 0-07-480598-4

[2] RICARTE, Marcos António Chaves – A importância dos custos logísticos na cadeia de suprimentos. [Em linha]. São Paulo: Widesoft Sistemas, 2002. [Consult. 15 Abr. 2008]. Disponível em WWW: URL:http://www.pauloangelim.com.br/artigos3_52.html.

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