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Logística 1 - Aula 10

Aula 10 - Modelo de revisão contínua e periódica

Modelo de revisão contínua e periódica

Introdução

Ao adotar o modelo do LEC como política de compra/produção, duas tradicionais abordagens relacionadas à maneira de controlar os itens em estoque são normalmente discutidas na literatura. A primeira consiste do modelo de revisão contínua, aqui identificado como sistemática Q, e a segunda, do modelo de revisão periódica, identificado como sistemática P. A seguir, é apresentada uma breve descrição desses modelos.

Sistema Q ou modelo de revisão contínua

O modelo de revisão contínua dos estoques é encontrado sob vários nomes na literatura internacional: continuous review model, reorder point policy, (Q, r ) model, fixed order quantity system, two-bin system, entre outros. Esse modelo consiste em estabelecer um nível fixo de reposição R que, ao ser atingido, dispara a emissão de um novo pedido de tamanho Q pré-definido. Esse nível r também é conhecido como Ponto de Pedido (PP) ou Ponto de Reposição (PR).

A adoção da sistemática Q não está necessariamente vinculada ao uso do lote econômico. A quantidade Q pode ser definida, conforme Buffa (1968), segundo algum critério de interesse baseado na experiência prática ou aplicando-se o modelo de lote econômico apropriado para a situação em questão. Porém, torna-se evidentemente conveniente repor os estoques em quantidades econômicas.

O intervalo entre cada solicitação neste modelo normalmente é variável, podendo-se definir apenas o momento de colocar o pedido junto ao fornecedor, isto é, o PP (o número de peças em estoque para quando se deve fazer o pedido), pela Equação 2 (Wu, 2000; Tubino, 2000):

\begin{equation} PP = D_t * t_r + E_s \end{equation}

Onde:

  • D t demanda média por unidade de tempo;
  • tr tempo médio de ressuprimento; e
  • Es estoque de segurança.

Logo, o PP contempla não apenas o estoque de segurança, mas também o estoque que será consumido enquanto o pedido não chega.

Buffa (1968) discute que quando o tempo de ressuprimento é longo e a quantidade solicitada é somente suficiente para um tempo menor que tr , então o ponto de pedido deve, além do estoque corrente, levar também em consideração o estoque pendente, isto é, aquele solicitado, mas ainda não entregue. Dessa forma, uma nova solicitação somente é emitida quando o saldo em estoque (corrente mais pendente) atingir o nível r. Quando o tempo de ressuprimento é curto, essa necessidade acaba sendo mascarada, dado que uma solicitação emitida é quase que prontamente atendida.

Estoque

Os níveis de estoque variam a cada dia, tendo um comportamento semelhante ao gráfico “dente de serra” discutido anteriormente. Imagine que queremos saber o nível de estoque médio de um produto. Para fazermos esse valor, poderíamos registrar o nível de estoque ao final de cada dia e calcular uma média desses valores. Isso nos daria o nível médio de estoque ao longo do período analisado.

É possível ter uma boa estimativa do nível médio de estoque de uma maneira bem simples. Seja Q o tamanho do pedido e ES o nível de estoque de segurança, então o estoque médio (EM) é obtido da seguinte forma:

\begin{equation} EM = \frac{Q}{2} + ES \end{equation}

Considerações finais

Alguns livros de gestão de estoques chamam o sistema de revisão contínua de “sistema de quantidades fixas e intervalos irregulares”. Em situações reais, a demanda é variável e não se sabe ao certo quando o ponto de ressuprimento será atingido. Isso faz com que os intervalos de ressuprimento sejam variáveis. O tamanho do pedido de compra, por outro lado, é fixo e igual a Q.

O sistema de revisão contínua tem como principal vantagem a atualização quase que em tempo real dos níveis de estoque, o que facilita a determinação do momento ideal para fazer pedidos de reposição. Este método também facilita o trabalho de contabilidade, pois consegue determinar com mais precisão o valor das mercadorias vendidas ao longo do tempo, assim como diminuir os prejuízos com estoque excessivo.

A principal desvantagem deste sistema é a necessidade de implementar sistemas confiáveis para monitorar a evolução dos níveis de estoque, o que pode se demonstrar caro e complexo. Por isso, nem sempre é viável adotar o sistema de revisão contínua para todos os itens. Em alguns casos pode ser mais apropriado empregar o sistema de revisão periódica.

Sistema P ou modelo de revisão periódica

O modelo de revisão periódica também pode ser encontrado com vários nomes na literatura: periodic review model, periodic order model, (R, T ) 2 model, fixed reorder cycle system, entre outros. Em suma, esse modelo consiste em definir um intervalo ótimo ( IP ) entre cada solicitação. A quantidade solicitada a cada novo pedido varia de acordo com o consumo no período anterior (BUFFA, 1968). Portanto, normalmente, a quantidade solicitada é diferente da quantidade ótima, devendo ser suficiente para cobrir a demanda durante o intervalo considerado.

A principal vantagem da sistemática P é a flexibilidade na determinação da periodicidade a ser empregada. De acordo com Novaes e Alvarenga (1994), as revisões são feitas a intervalos fixos, eliminando a necessidade de controle contínuo sobre o nível atual do estoque, como requerido na sistemática Q. Sendo assim, o intervalo pode ser convenientemente escolhido de forma a fazer coincidir, numa mesma data, as emissões dos pedidos de vários produtos, facilitando o processo de aquisição e aproveitando eventuais descontos no transporte (NOVAES; ALVARENGA, 1994; TUBINO, 2000). Essa característica faz com que a sistemática P seja, segundo Novaes e Alvarenga (1994), mais empregada pelas empresas. Contudo, a escolha do intervalo mais conveniente pode seguir outro critério qualquer de interesse (Tubino, 2000). Naturalmente, a determinação do intervalo pode ser feita de forma a obter-se o intervalo ótimo que resultaria do emprego de algum dos modelos de lote econômico (BUFFA, 1968). O intervalo ótimo vem da equação do LEC, sabendo-se Q:

\begin{equation} I = \frac{Q}{D}\end{equation}

Assim, a cada I o estoque é revisado e verificado quanto é necessário ser resposto. É necessário ser resposto até o estoque máximo(também chamado de estoque alvo), o qual é a soma do estoque de segurança mais a demanda do período do intervalo e o tempo de entrega:

\begin{equation} E_{máximo} = D_t*(t_r + I_p) + E_s\end{equation}

A quantidade (Q ) solicitada em cada pedido, que levará o estoque ao nível R, deve levar em conta o saldo atual em estoque (Ea ). Portanto, define-se:

\begin{equation} Q = E_{máximo} - E_a\end{equation}

Estoque de segurança

Devido ao sistema P apenas observar os estoques em certos intervalos, temos uma incerteza sobre a quantidade de estoque nesses intervalos. Devido a isso, o estoque de segurança de um produto que utiliza o sistema P de reposição abrange a incerteza não apenas do Lead Time, mas também do tempo de Intervalo, onde nesse tempo, tudo pode ocorrer. Logo, a fórmula do estoque de segurança:

\begin{equation} E_s = z * \sigma * \sqrt{T + L}\end{equation}

Onde

  • T é o tempo de interval entre as checagens do estoque
  • L é o lead time;
  • z é o coeficiente do nível de serviço

Considerações finais

O sistema de revisão periódica de estoques é muito utilizado por várias empresas devido a sua simplicidade, em especial porque o acompanhamento dos níveis de estoque requer pouco esforço por parte da empresa. Algumas empresas utilizam uma combinação dos sistemas P e Q. Itens Classe A ou que tem uma demanda muito incerta são controlados usando a abordagem contínua. Itens de baixa demanda ou com demanda de fácil previsão podem ser controlados usando a abordagem periódica.

Uma desvantagem do sistema de revisão periódica é que ele tem níveis de estoque de segurança mais elevados, pois é necessário cobrir a incerteza durante todo o intervalo entre revisões do estoque junto com o tempo de espera pela entrega. Na revisão contínua, o estoque de segurança precisa cobrir apenas o período de espera pela entrega. Em geral, caso você tenha a possibilidade e tecnologia, implementar a revisão contínua é mais barato e permite melhor controle. Apesar disso, existem certos produtos que requerem o manuseio da fábrica para verificar seu estado, como alimentos e outros perecíveis, assim como há descontos no preço do pedido se forem todos feitos no mesmo dia; em situações assim, é preferível o sistema P, por permitir verificar e eliminar dos estoques produtos vencidos, assim como economizar no custo do pedido.

Notas sobre o trabalho

Cada grupo copiará a seguinte planilha e preencherá as colunas com destaque vermelho:

https://docs.google.com/spreadsheets/d/1_79X9sVtqDfsun5qdz9XafQVk-vysHrOgoixvo6ElKU/edit#gid=2078239536

Criará ao menos 200 saídas de produtos (na aba saídas) e 10 produtos (na aba cadastro) e simulará uma loja fictícia de sua escolha por 20 dias. Assim, cada produto será registrado 10 vezes na aba saída (dia 01/04/2018 vendeu 2 unidades, dia 02/04/2018 vendeu 0 unidades, dia 03/04/2018 vendeu 3 unidades ...).

A quantidade de entradas fica a critério da sua loja e vendas.

O que irão apresentar:

  • Pequeno resumo da empresa fictícia e seus produtos cadastrados;
  • Como foram suas vendas, compras e seus índices na simulação;
  • Qual classificação, sistema e estoque de segurança adotaram;
  • Que outros índices seriam importantes e não estão na planilha;
  • Se transformasse em um software de gestão de estoques, o que mais fariam? (o que falta ou o que sentem falta)

As apresentações terão no máximo 15 minutos cronometrados, 6 grupos de no máximo 6 pessoas cada, com no máximo de 16 slides para apresentação. Entregar os slides em PDF antes da aula por email: leondiniz2006@gmail.com

Exercícios

1) Esboce o gráfico de nível de estoque e identifique, nas situações abaixo, qual modelo de reposição é utilizado, assim como as suas variáveis: demanda (D), tamanho do pedido(Q), lead time(L), estoque de segurança(ES), intervalo de reposição(IR), ponto de reposição(PR), estoque médio(EM) e estoque alvo(EA), quando couber.

a) Seu Manoel vende 20 salgados por dia. Sempre ao ver o estoque se encontrar em 60 salgados, ele pede a Dona Maria, sua fornecedora, um total de 80 salgados para serem entregues. Dona Maria demora 2 dias para produzir e entregar os salgados.

b) Em todo mês de dezembro, a escola pública X verifica seu estoque de canetas para solicitar reposição. Em fevereiro é entregue o pedido. Seu consumo mensal é de 100 canetas e seu estoque de segurança é de 200 canetas. Na última verificação, notou-se 180 canetas em estoque.

c) A demanda média de um produto Y é de 50 unidades por dia e o pedido de compra é de 400 unidades. Quando um pedido é feito, o fornecedor leva 3 dias para realizar a entrega. Além disso, a empresa mantém um estoque de segurança equivalente a 2 dias de consumo.

d) Uma distribuidora utilizou o lote econômico de compras para verificar que o intervalo ideal para repor o estoque de desodorante nos supermercados clientes é de 20 dias. O supermercado A está com 200 desodorantes em estoque e seu estoque de segurança é de 100, com uma demanda diária de 2 unidades.

Referência

http://www.scielo.br/pdf/prod/2010nahead/aop_t6_0001_0140.pdf

In [ ]: